ESTUDANDO O LIVRE ARBITRIO

 

Termo livre-arbítrio é muito usado nos estudos espíritas. Expositores e coordenadores de grupos de estudos o utilizam bastante e mesmo nos diálogos mais descontraídos – quando surge a temática espírita – estamos a utilizá-lo.

Definindo ; Trata-se de liberdade moral do homem; faculdade que ele tem de se guiar segundo sua vontade.

Fomos pesquisar na Revista Espírita (publicação que esteve sob responsabilidade de Allan Kardec de 1858 a 1869). No volume de julho de 1868, em matéria intitulada A Ciência da Concordância dos Números e a Fatalidade, que transcrevemos parcialmente:

“(...) Tendo o homem o livre arbítrio, em nada entra a fatalidade em suas ações individuais; quanto aos acontecimentos da vida privada, que por vezes pareçam atingi-lo fatalmente, tem duas fontes bem distintas: uns são conseqüência direta de sua conduta na existência presente; muitas pessoas são infelizes, doentes, enfermas por sua falta; muitos acidentes são resultado da imprevidência; ele não pode queixar-se senão de si mesmo e não da fatalidade ou, como se diz, de sua má estrela.

Os outros são inteiramente independentes da vida presente e parecem, por isso mesmo, devidos a uma certa fatalidade. Mas, ainda aqui, o Espiritismo nos demonstra que essa fatalidade é apenas aparente, e que certas posições penosas da vida têm sua razão de ser na pluralidade das existências. O Espírito as escolheu voluntariamente na erraticidade, antes de sua encarnação como provações para seu adiantamento. Elas são, pois, produto do livre-arbítrio, e não da fatalidade.(...)”

Conforme ensina o Espiritismo, o homem é livre para agir, mas responde ou beneficia-se sempre pelos resultados de suas ações.

A fatalidade é, pois, conseqüência dos próprios atos, do ponto de vista moral. Na verdade, como pondera o Codificador no mesmo texto, “todas as leis que regem o conjunto dos fenômenos da natureza têm conseqüências necessariamente fatais, isto é, inevitáveis, e essa fatalidade é indispensável à manutenção da harmonia universal. O homem, que sofre essas conseqüências, está, pois, em certos respeitos, submetido à fatalidade, em tudo quanto não depende de sua iniciativa (...)”

Ora, é exatamente essa iniciativa que determina o livre-arbítrio. A decisão por esta ou aquela opção, em favor ou em prejuízo de alguém e até de si mesmo, gera méritos ou conseqüências que advirão fatalmente. O parágrafo abaixo transcrito, constante do mesmo capítulo acima referido e de autoria do próprio Kardec, conclui a questão:

“O homem pode, pois, ser livre em suas ações, a despeito da fatalidade que preside o conjunto; é livre numa certa medida, no limite necessário para lhe deixar a responsabilidade de seus atos. Se, em virtude desta liberdade, ele perturba a harmonia por um mal que faz, põe um ponto de parada na marcha providencial das coisas, e é o primeiro a sofrer por isto, e como as leis da natureza são mais fortes do que ele, acaba sendo arrastado na corrente; então sente a necessidade de reentrar no bem e tudo retoma o seu equilíbrio. De sorte que a volta ao bem é ainda um ato de livre-arbítrio, posto que provocado, mas não imposto, pela fatalidade.”

Esta última transcrição permite que em estudos e reflexões individuais ou em grupos de estudos, possamos analisar o quadro atual do planeta, com seus extremos e paradoxos, bem como as lutas humanas que se apresentam. Existe a fatalidade do progresso, mas há a presença humana que com suas ações geram conseqüências que devem ser reparadas no conjunto.